Tipos de kalanchoe mudam na folha, na luz e na rega, e seis espécies mostram como reconhecer cada uma

Resumo
Os tipos de kalanchoe incluem plantas de vaso florido, folhas peludas, folhas em forma de remo e espécies que soltam plantinhas pela borda. A comparação reúne seis espécies pela folha, altura, luz e risco, explica o que é calandiva, mostra qual planta morre depois de florir e traz um roteiro de quatro perguntas para identificar o exemplar sem etiqueta.
Quatro tipos de kalanchoe em vasos de barro junto à janela, com flor coral, folha peluda, roseta de folhas em remo e folhas com plantinhas
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Os tipos de kalanchoe vão de um vasinho florido de 15 cm a um arbusto de folha aveludada que passa de 1 metro. Quem compra uma kalanchoe em geral leva a Kalanchoe blossfeldiana, mas o gênero reúne plantas com folha peluda, folha em forma de remo e folha que solta plantinhas pela borda. A comparação abaixo cobre seis espécies que aparecem em cultivo doméstico e mostra o que muda em cada uma: a folha, o tamanho, a luz e o risco de espalhar.

Kalanchoe é suculenta, e o nome científico muda de etiqueta para etiqueta

Sim, é suculenta. As seis espécies deste comparativo pertencem à família Crassulaceae, a mesma da planta jade e da echeveria, e guardam água nas folhas grossas. Isso explica por que o cuidado de base se parece com o das outras suculentas de vaso.

O nome é outra história. Algumas espécies circularam por anos como Bryophyllum, e a etiqueta nem sempre acompanhou a mudança. A ficha da NC State sobre a Kalanchoe delagoensis lista como nomes antigos Bryophyllum delagoense e Kalanchoe tubiflora. Se o rótulo trouxer um desses, a planta é a mesma. Nomes populares ajudam menos ainda: em inglês, devil’s backbone aparece tanto para a daigremontiana quanto para a delagoensis.

Seis espécies de kalanchoe lado a lado

A altura da tabela é a da planta adulta nas fichas botânicas. Em vaso pequeno, ela costuma ficar abaixo disso.

EspécieComo é a folhaAlturaLuzO que decide o cuidado
Kalanchoe blossfeldianaVerde e carnuda, planta compacta de flores em cacho15 a 46 cmClara indireta ou meia-sombraPrecisa de noites longas para florir de novo
Kalanchoe tomentosaCoberta de penugem cinza, com manchas marrons na borda30 a 90 cmClara e indireta, ao menos 6 horasDentro de casa raramente floresce
Kalanchoe thyrsifloraEm forma de remo, verde-acinzentada e empoada30 a 75 cmSol pleno a meia-sombraMorre depois de florir e deixa filhotes
Kalanchoe beharensisGrande, com pelos de feltro e lobos irregulares0,9 a 1,5 mSol pleno a meia-sombraPede espaço e não aguenta geada
Kalanchoe daigremontianaLarga, com plantinhas na bordaAté 90 cmClara indireta ou meia-sombraSeiva irrita a pele e as plantinhas se espalham
Kalanchoe delagoensisEstreita, quase cilíndrica, com manchas castanhasAté 1,2 mSol pleno ou meia-sombraInvasora em várias regiões do mundo

Kalanchoe blossfeldiana, a do vaso florido

É a espécie que ocupa as floriculturas, nativa do nordeste de Madagascar. A ficha da NC State sobre a Kalanchoe blossfeldiana descreve uma planta de 15 a 46 cm, que prefere luz clara indireta e pede sombra à tarde, porque o sol direto prolongado queima as folhas. As cultivares variam na cor: há vermelho intenso, laranja, rosa, branco e amarelo-dourado, além de uma forma de folha variegada com margem rosa e creme.

A planta só refaz os botões com 14 horas diárias de escuridão total, por pelo menos 6 semanas, no outono e no inverno. Uma lâmpada acesa à noite na sala pode ser o motivo de ela ficar sem flor. Quem tem esse exemplar em casa encontra a rotina inteira no artigo sobre a flor da fortuna e os mitos da refloração.

Calandiva e kalanchoe: qual a diferença

Calandiva não é outra espécie. O nome identifica uma série de cultivares de flor dobrada, e a base de plantas da Kwantlen Polytechnic University registra que essas formas dobradas podem aparecer assim em algumas referências. O Jardim Botânico de Chicago acrescenta que a série foi selecionada para florir ao longo do ano em plantas compactas e bem ramificadas. Na prática, o cuidado é o da blossfeldiana comum, e a diferença está nas pétalas.

Kalanchoe tomentosa, a planta panda, com folhas cobertas de penugem prateada e manchas marrons na margem, em vaso de barro

Kalanchoe tomentosa, a planta panda de folha peluda

A folha entrega a espécie. Mede de 7 a 10 cm, é coberta por penugem cinza-esbranquiçada e leva manchas marrom-chocolate na margem. O nome em inglês, panda plant, vem desse contraste. Segundo a ficha da NC State para a espécie, ela cresce devagar, é nativa do leste-central de Madagascar e rende melhor com luz clara e indireta por pelo menos 6 horas ao dia.

Em clima muito quente, a mesma ficha pede proteção contra o sol forte, porque a folha queima. E não espere flor: plantas de interior raramente florescem, então ela vale pela folhagem. Para multiplicar, os passos de corte e secagem da muda de kalanchoe servem de ponto de partida.

Kalanchoe thyrsiflora, a folha de remo que encerra o ciclo ao florir

Forma uma roseta de folhas grossas e empilhadas, que lembram panquecas, daí o nome flapjacks em inglês. A cobertura branca e empoada dá o tom acinzentado, e o sol avermelha a borda. O Missouri Botanical Garden situa a origem em áreas secas, expostas e rochosas da África do Sul, e registra cerca de 25 cm de altura em vaso.

O ponto que costuma assustar: a planta-mãe morre depois de florir, em geral com 3 a 4 anos. Isso é o ciclo natural da espécie, chamado monocarpia, e não falha de cuidado. As flores amarelas e perfumadas surgem em hastes altas na primavera, e os filhotes nascem na base e ao longo da haste. Ao ver essa haste subir, deixe os filhotes crescerem e separe os que já estiverem firmes, como no manejo de brotos de suculenta.

A mesma ficha pede atenção à rega do inverno, que deve ficar mais espaçada para evitar podridão nas raízes.

Kalanchoe beharensis, a maior da comparação

Aqui a escala muda. Segundo o Missouri Botanical Garden, essa espécie de Madagascar alcança de 0,9 a 1,5 m, com folhas de 13 a 36 cm, côncavas e de lobos irregulares, cobertas por pelos que parecem feltro, daí o nome velvet leaf em inglês, ou folha de veludo. As folhas maduras ficam castanho-ferrugem.

Ela aceita sol pleno a meia-sombra e costuma agradecer um pouco de sombra à tarde. Como não tolera geada, em regiões de inverno rigoroso o vaso deve ir para um lugar protegido antes da primeira noite gelada. Para apartamento, conte com um vaso grande e um canto com bastante luz.

Mãe de milhares e Kalanchoe delagoensis, as que soltam plantinhas

A Kalanchoe daigremontiana, chamada de mother of thousands em inglês, e a Kalanchoe delagoensis, a mother of millions, se multiplicam do mesmo jeito: pequenas plantas se formam na borda das folhas, caem e enraízam sozinhas. A diferença aparece na folha. A primeira é larga. A segunda é estreita, quase cilíndrica, sulcada e manchada de castanho-avermelhado.

Essa facilidade tem custo. A ficha da NC State aponta a delagoensis como planta problemática na Austrália, no sul da África, em ilhas do Pacífico, na América Central e no sul dos Estados Unidos, onde toma o lugar de plantas nativas. A ficha não cita o Brasil, mas as plantinhas caídas não devem ir para terreno baldio, mata ou composteira aberta. Mantenha essas espécies em vaso, recolha as que caírem e coloque os restos em saco fechado no lixo comum.

Na daigremontiana, a NC State recomenda luvas ao manusear, porque a seiva provoca dermatite de contato. A página da delagoensis também alerta para irritação na pele.

Folha de Kalanchoe daigremontiana com fileira de plantinhas na borda e mudas pequenas já caídas no substrato do vaso

Como identificar a sua kalanchoe em quatro perguntas

Sem etiqueta, a folha resolve a maioria dos casos. Siga esta ordem:

  1. A borda da folha tem plantinhas? Folha larga aponta para daigremontiana, folha estreita e cilíndrica aponta para delagoensis.
  2. A folha tem pelos? Pequena, cinza e com manchas marrons é tomentosa. Grande, de feltro e com lobos é beharensis.
  3. A folha é um remo empoado em roseta? Provavelmente thyrsiflora, sobretudo se a borda ficar vermelha ao sol.
  4. Nenhuma das anteriores, com folha verde lisa e cacho de flores pequenas? O mais provável é blossfeldiana, simples ou dobrada.

O teste serve para as seis espécies deste texto. O gênero é maior, e um exemplar raro pode escapar dessa chave.

Quanto sol e quanta água cada tipo aguenta

A pergunta sobre gostar de sol não tem resposta única. Thyrsiflora, beharensis e delagoensis aceitam sol pleno, com a ressalva de sombra à tarde nas duas últimas. Blossfeldiana, tomentosa e daigremontiana ficam melhor em luz clara sem o sol forte do meio do dia. Em todas, caule comprido e folhas espaçadas indicam pouca luz, o quadro descrito no artigo sobre suculenta estiolada.

Na rega, as fichas repetem a mesma regra: deixe o substrato secar entre uma rega e outra, e o excesso de água apodrece as raízes. Não existe intervalo fixo. Enfie um palito até o fundo do vaso e regue quando ele sair seco e limpo, sempre com menos água no frio. Para estimar o seu caso, a Calculadora de Rega do site cruza planta, lugar, estação e vaso. Na opção de planta, as kalanchoes entram como suculenta de folha grossa.

O vaso precisa de furo, e uma mistura leve como a usada para cactos atende às seis espécies.

Cães, gatos e crianças perto de kalanchoe

Trate todas como tóxicas. A ASPCA classifica as kalanchoes como tóxicas para cães e gatos, por causa dos bufadienolídeos, com vômito, diarreia e, raramente, arritmia cardíaca. As fichas da NC State ampliam o alerta para crianças e informam que a ingestão por animais pode ser fatal. Coloque o vaso fora do alcance e, se houver suspeita de que o animal mastigou a planta, procure um veterinário sem esperar os sintomas.

Quem escreveu este guia
Maick Simas Moreira

Responsável editorial do Guia em Casa. Assina os guias de suculentas e cactos publicados no site.

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