O primeiro passo de como cuidar de cactos é reconhecer o que é cacto e o que só parece. Todo cacto é uma suculenta, mas nem toda suculenta é cacto, e dentro dos próprios cactos há dois grupos com necessidades quase opostas: os de deserto e os de floresta. Tratar tudo igual, na mesma prateleira e com a mesma rega, é o caminho mais curto para um vaso que apodrece ou estica. A seguir estão as diferenças de identificação, rega, luz, inverno e manuseio entre esses grupos.
Como reconhecer um cacto de verdade
Suculenta é qualquer planta que guarda água em folhas, caules ou raízes. O cacto é um grupo dentro delas, a família Cactaceae, e tem uma marca exclusiva: as aréolas, pequenas almofadas, muitas vezes com pelos, de onde saem os espinhos, as flores e os ramos novos. Espinho sem aréola não é de cacto.
Essa marca importa porque algumas eufórbias são vendidas como cacto. O chamado cacto-candelabro, por exemplo, é a Euphorbia trigona. A NC State descreve a planta como parecida com um cacto, mas com seiva leitosa que pode causar irritação, bolhas na pele e irritação forte nos olhos. Para separar os dois:
- Cacto: espinhos saindo de aréolas; a seiva costuma ser clara, embora algumas Mammillaria tenham seiva leitosa, por isso a aréola é o critério mais seguro.
- Eufórbia com cara de cacto: espinhos em pares, direto no caule, sem almofada; seiva branca e leitosa ao menor corte.
Eufórbia se maneja de luvas, e o corte ou a quebra de um ramo pede cuidado redobrado com os olhos.

Lado a lado: cacto de deserto, cacto de floresta e suculenta de folha
| Fator | Cacto de deserto | Cacto de floresta | Suculenta de folha |
|---|---|---|---|
| Exemplos | Mandacaru, cactos-bola, Mammillaria | Flor-de-maio, cacto-orquídea, Rhipsalis | Echeveria, planta jade, haworthia |
| Onde guarda água | No caule | Nos segmentos achatados | Nas folhas |
| Luz | Sol forte, várias horas | Luz clara e indireta, sem sol forte por muitas horas | Muita luz; varia com a espécie |
| Substrato | Arenoso, muito drenante | Drenante, com mais matéria orgânica | Arenoso, muito drenante |
| Quando regar | Substrato seco até o fundo | Com mais frequência que os de deserto | Substrato seco até o fundo |
| Como regar | Farta, até escorrer | Farta, até escorrer | Farta, até escorrer |
| Inverno | Fresco e quase seco | Rega reduzida depois da floração | Pouca água, sem adubo |
| Manuseio | Luvas ou pinça | Sem espinhos agressivos | Folhas soltam com facilidade |
Rega: o mesmo princípio, ritmos diferentes
A extensão da Universidade Estadual do Colorado resume a regra para os cactos: regar sempre de forma completa e deixar o solo secar por inteiro antes da próxima rega, sem nunca deixar o vaso parado na água. Molhar só a superfície, várias vezes seguidas, é o erro oposto: a página registra que esse hábito costuma deixar o crescimento deformado. Cacto não pede pouca água por vez; pede regas fartas e bem espaçadas. O sinal que libera cada rega do cacto muda com a estação e com o tipo de cacto, de deserto ou de floresta.
O próprio cacto mostra quando a reserva baixou. Nos cactos de costelas, como os colunares e muitos cactos-bola, as dobras se aprofundam e o corpo fica mais estreito; depois da rega, ele volta a inchar. Cacto mole na base, ou com manchas escuras e úmidas, indica o oposto: excesso de água e começo de podridão.
Os cactos de floresta vivem presos a árvores e pedras, em matas úmidas, e não seguem esse ritmo. A extensão da Universidade de Wisconsin, num artigo sobre a flor-de-maio, explica que na natureza a chuva é frequente, mas escorre rápido pelas raízes; por isso regas frequentes fazem bem, desde que o substrato drene muito bem, e numa mistura que segura umidade o certo é deixar secar um pouco entre uma rega e outra. A mesma fonte recomenda substrato com mais matéria orgânica que o dos cactos de deserto e luz clara e indireta.
O cuidado detalhado de um dos mais populares no Brasil está em como cultivar e fazer florir a flor-de-maio.
O cacto-orquídea, de flores grandes e segmentos longos, segue a mesma lógica de floresta, com algumas particularidades de luz e de floração reunidas em o cultivo do Epiphyllum em vaso.
Luz: sol forte para uns, sombra clara para outros
Na luz, os dois grupos de cacto ficam em pontas opostas. O de deserto quer a janela que mais recebe sol, que no Brasil é a voltada para o norte, e com pouca luz estica e afina no topo; esse estreitamento fica marcado para sempre no corpo da planta. O de floresta queima e avermelha no sol pleno da tarde e vive melhor na claridade forte, sem sol direto no meio do dia. A luz de cada grupo, a queimadura e o cuidado ao mudar o vaso de posição estão em o guia de sol para cactos de deserto e de floresta.
Inverno, floração e adubo
Para os cactos de deserto, o Colorado sugere um período de descanso mais fresco no inverno, com temperatura entre 7 e 13 °C quando possível, e água só o suficiente para as raízes não secarem de vez. Muitos cactos florescem melhor depois desse inverno fresco e seco; em apartamento quente, a floração costuma ser menor.
A adubação dos cactos é ainda mais leve que a das suculentas de folha: pela página do Colorado, uma ou duas aplicações por ano bastam, no fim da primavera ou no verão, em meia dose e com adubo que tenha mais fósforo que nitrogênio.

Manuseio e troca de vaso
Para segurar um cacto na troca de vaso, uma tira de jornal dobrada várias vezes, enrolada em volta do corpo da planta, funciona melhor que a mão, mesmo de luva fina. Pinças de cozinha ajudam nos cactos pequenos. As palmas (Opuntia) merecem atenção extra: além dos espinhos grandes, têm tufos de espinhos minúsculos que se soltam ao toque e grudam na pele; fita adesiva ajuda a retirá-los.
Depois da troca, o Colorado recomenda não regar logo em seguida, porque a raiz ferida fica mais sujeita a doença. O vaso novo deve ser só um pouco maior que o anterior, com furo e substrato que drene rápido.
Cacto e suculenta no mesmo vaso
Podem dividir o vaso desde que tenham as mesmas necessidades: cactos de deserto com suculentas de sol pleno e rega espaçada. A mistura que não funciona é cacto de deserto com cacto de floresta, ou com suculentas de meia-sombra, porque um dos lados sempre recebe luz ou água erradas. Os arranjos de cactos em miniatura vendidos prontos costumam juntar espécies compatíveis, mas o vasinho raso e sem furo pede ajustes, explicados em como cuidar dos mini cactos de vaso.
Plantas com partes brancas, creme ou amarelas, como cactos e suculentas variegados, têm menos clorofila nessas áreas e pedem um meio-termo de luz. O equilíbrio está em os mitos e cuidados das suculentas variegatas.
Por onde começar
Para quem está começando uma coleção mista, os mais tolerantes são os cactos-bola comuns, a planta jade e a haworthia. Entre os cactos brasileiros, o mandacaru aguenta sol forte e longos períodos sem água; o perfil dele está em o mandacaru como planta de vaso e de jardim. As echeverias muito coloridas da vitrine pedem mais atenção à luz e à drenagem.
Suculentas de folha que esticam aceitam bem o corte do topo e o replantio. Nos cactos o corte também enraíza, mas a cicatriz fica visível. Onde e quando cortar cada tipo está no guia de poda de suculentas com corte limpo.